terça-feira, 23 de agosto de 2011

SEXUAL

Somos culpados; você e eu, enquanto não entendermos que não fomos responsáveis pelo ponto inicial. 
Somos medo; a omissão e ausência nos presenteou com a vulnerabilidade quando justamente precisávamos de representantes e referências  seguras ao nosso alcance. 
Ninguém esteve lá, ninguém sentiu por mim a agressão particular e secreta que me apresentou o medo e rompeu a linha tênue da inocência ferindo a segurança natural enquanto criança. Apressado e agora diferente, busquei isolar a mim e o fato até encontrar tantos outros que existiam e viviam despreocupados, aceitosos, anestesiados quase isentos aos sentimentos do mesmo ato. Me inclui na sensação e ela fez de mim um homem melhor. Puta alma traiçoeira, me ofereceu sensações verdadeiras e outrora falsas dos mesmos inquietos.
                                                                         
Negamos, brincamos, dançamos, boletamos um ciclo e injetamos falsa musculatura pra nos sentirmos fortes, por um período. Nosso ego massageado com falsas modéstias, criou homens cada vez melhores, todos iguais: produção em série à custo barato.Caro demais amanhã. 
Preferindo morfinas e optando seguidamente por dormir, de tanto me esconder, voltei a ter 4 anos. Dessa vez questionei, não tive medo, enfrentei o agressor e gritei a minha dor: a culpa não é minha! Afirmei quem eu sou. Fui molestado, eu ainda era uma criança.
Da carência, minha curiosidade com desejos foram preenchidos e se tornaram distorcidos.
À tempo, sinto o mesmo menino crescer em um corpo de homem agora bem resolvido.
Reflita sobre quem você é, e que tipo de abuso você tem vivido.

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